Aqui estou eu, esperando meu crepe de espinafre e observando os transeuntes do lado de fora. Daí vem a ideia de escrever um post menos diferente dos anteriores, tão cheios de informação.
A adolescente passa correndo com toda sua falta de coordenação motora para isso, mas sem a menor vergonha em fazê-lo, seja lá qual for seu motivo. É a pressa, também presente nas pessoas bem vestidas que passam grupo voltando do horário de almoço, ou ainda, daquela que sai da Starbucks com mais de 6 copos de café, certamente levando aos colegas de serviço. Se não por gentileza, porque é estagiária e tem a hora mais barata de todos. No final, ao que levará essa pressa toda?
A família gringa passeia com seus sete filhos, dos quais os dois são negros e crianças menores. Bonito ver, eles de mãos dadas com os irmãos adolescentes. Família numerosa, bem típico por aqui.Que valores teria uma família onde os filhos adolescentes caminham junto com os pais e de mãos dadas com os irmãos adotivos?
Eis que surge um casal. Andam e mexem no celular ao mesmo tempo. Preferem a companhia tecnológica ao parceiro de caminhada. Parece que a vida tem disso, é feita de contrários, como disse o padre Fabio de Melo em uma linda música. Digo isso porque em seguida, passa um outro casal de mãos dadas. Tem noção do que é isso nos dias de hoje? Um simples caminhar de mãos dadas. Eu, particularmente, amo... Oculta tantas coisas! Um cuidado, uma parceria nos passos que certamente vai além daquela calçada.
De repente sou supreendida com a funcionária lembrando a colega que terminava seu expediente que em seu próximo dia de trabalho seria seu aniversário... Que delicadeza dessa colega num mundo que se mesmo com a tecnologia toda, não nos damos ao trabalho de felicitar nossos colegas.
Chega meu prato! Mesmo desfrutando dele, continuo minha observação, até que está divertido.
Observo uma paquera, muito mais discreta do que estamos habituados, mas paquera é paquera... Em qualquer lugar do mundo é entendida... E a moça sabe disso e sai rindo como se tivesse ganhado o dia.
De repente, um movimento diferente chama a minha atenção. Uma moça, sai do meio de um grupo meio que pulando e fazendo graça enquanto caminha pra comprar seu café. O grupo ri enquanto a espera. Delícia essas pessoas que quebram o cinzento da vida e da rotina, fazendo-nos rir diariamente, acima do tudo que possa haver na alma delas.
Do outro lado, assim como eu sentado sozinho em uma mesa, porém fumando ao invés de comendo, um morador de rua. Entre um tragada e outra, um intenso passar a mão na cabeça como um gesto de preocupação. Li outro dia, que muitos deles até trabalham mais não ganham o suficiente para ter algum lugar onde se recolher nas noites friorentas daqui. Estar na rua é mais que estar sem casa, o que já é indigno. É estar sem a família, a parte daquele cenário todo, que apesar das individualidades, tem muito em comum...
Desvio minha atenção dele, enquanto termino meu almoço, para um fotógrafo... um oriental que em busca do ângulo perfeito, se ajoelha diante de uma fonte que exite lá. Que atitude interessante! É como se o tal ângulo por ser belo, e perfeito, exigisse o dobrar de joelhos para ser apreendido. A humildade diante do belo. Lembrei-me de uma homília em que era dito que no belo tem Deus, porque o belo é cuidado e o que é cuidado, experimenta o amor. E outra ainda que dizia que nossa alma gosta do que é belo. Fica pra você fazer a relação entre as duas citações.
A garçonete vem pronta com a conta, sem saber que eu ainda queria adoçar aquele momento com o que há de mais gostoso , pelo menos pra mim, no mundo dos sabores: morango... morango com banana... morango com banana e Nutella.
Enquanto aguardo a divina sobremesa, saboreio a água vendo o abraço no encontro de alguém amigo. Contato físico como abraços são pouco vistos por aqui, eles não sabem o que estão perdendo!
Não sabe também esse adolescente que passa com o pai insistindo em conversar, enquanto ele... bom, você já deve imaginar! E passa o momento, passa a hora, passa a vida! Assim como passam as das senhoras de meia idade, rindo e conversando por duas outras bem mais novas que escolhem um lugarzinho ao sol para fumar e conversar. Um oposto de gerações, com o poder do sorriso em comum.
OMG! Chega meu crepe... O que foi mesmo que falei anteriormente sobre belo? E se for belo e gostoso ao mesmo tempo?
A mamãe ruiva que passa o bebê dormindo num carrinho desconfortável, me lembra que também tenho obrigações e a vida lá fora me chama.
Despeço-me do pessoal do restaurante e sigo, para incorporar aquele ordinário tão extraoridinário, como se refere nossa querida poeta brasileira Adélia Prado.
Grande abraço!

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